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Fazendeiro é preso suspeito de manter gaúchos em trabalho escravo em fazenda de Alta Floresta (MT)

Duas vítimas foram resgatadas pela Polícia Militar em Alta Floresta após relatarem ameaças, retenção de salários e maus-tratos; fazendeiro foi preso em flagrante.

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 16:19

Dois trabalhadores naturais do Rio Grande do Sul foram resgatados após denunciarem, na última sexta-feira (22), situações de ameaças, agressões e condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Alta Floresta, no Mato Grosso. O proprietário da fazenda, de 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar.

De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia foi acionada depois que uma das vítimas procurou ajuda relatando ter sofrido agressões físicas. Aos policiais, os trabalhadores informaram que viajaram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso após receberem uma proposta de trabalho.

Segundo os relatos, eles foram contratados por um empreiteiro responsável por intermediar o serviço e administrar os pagamentos. As vítimas afirmaram que parte dos salários era retida pelo homem, que também praticava ameaças e maus-tratos.

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) informou que a denúncia ainda não havia sido encaminhada à Superintendência Regional do Trabalho (SRTE-MT), e auditores consultados disseram não ter conhecimento do caso até o momento.

Os trabalhadores contaram que estavam alojados em uma residência na comunidade Rio Verde, pertencente ao empreiteiro, e eram levados diariamente até a fazenda para trabalhar. Conforme os depoimentos, o empregador reclamava constantemente do desempenho dos funcionários e ameaçava deixá-los sem dinheiro para retornar ao estado de origem.

Ainda segundo as vítimas, o contrato previa três meses de trabalho, mas apenas metade do salário era paga mensalmente. O restante ficaria retido para pagamento ao final do período combinado.

Na sexta-feira, durante o trajeto até a fazenda, o suspeito acusou os trabalhadores de furtarem uma caixa de som de sua residência. Após negarem a acusação, uma das vítimas teria sido agredida com tapas e chutes, o que motivou a denúncia à polícia.

Durante as diligências, os policiais estiveram no alojamento utilizado pelos trabalhadores e registraram imagens que mostravam condições degradantes no local. Inicialmente, o suspeito não foi localizado, mas acabou encontrado em uma estrada próxima à propriedade. Ele foi abordado, preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.

Dados do relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT), apontam que o estado lidera o número de trabalhadores resgatados de situações análogas à escravidão no país em 2025. O levantamento também destaca o crescimento dos conflitos agrários e o aumento das ameaças de despejo na região.

Somente no ano passado, 606 trabalhadores foram resgatados de condições degradantes em Mato Grosso. O caso mais grave ocorreu em agosto de 2025, no município de Porto Alegre do Norte, onde 586 pessoas foram encontradas em situação análoga à escravidão durante a construção de uma usina de etanol.

Outro resgate recente envolveu 20 trabalhadores submetidos a irregularidades em atividades de corte e empilhamento de madeira em uma fazenda no município de Nova Maringá.

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