Fiscal é morto por ex-prefeito dentro de imóvel comprado em leilão
Família afirma que vítima comprou imóvel legalmente, estava desarmada e pede justiça; defesa de Alcides Bernal alega legítima defesa
Publicado em 27 de Março de 2026 às 17:03
Câmeras de segurança registraram o momento em que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, atira e mata o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, dentro de uma mansão no bairro Jardim dos Estados, na terça-feira (24). O imóvel, avaliado em R$ 3,7 milhões, já pertenceu a Bernal, foi a leilão e havia sido comprado legalmente pela vítima junto à Caixa Econômica Federal.
As imagens mostram que Mazzini entrou na casa com um chaveiro para acessar o imóvel. Pouco depois, Bernal chega armado, entra na residência e realiza o disparo. Cerca de 12 segundos depois, o chaveiro foge com as mãos levantadas. Bernal sai e volta ao imóvel, faz gestos na rua e deixa o local minutos depois. Toda a ação durou menos de quatro minutos.
Após o crime, Bernal se apresentou à polícia, foi ouvido e preso em flagrante por homicídio. A defesa afirma que ele agiu em legítima defesa e que a vítima teria avançado contra ele, mas esse movimento não aparece nas gravações.
A família de Mazzini contesta essa versão, afirmando que ele estava desarmado, não teve chance de defesa e que era o legítimo proprietário do imóvel, adquirido de forma regular. Eles pedem justiça e responsabilização dos envolvidos.
Mazzini era fiscal tributário desde 2008, atuava na Secretaria Estadual de Fazenda e deixa esposa e três filhos. O sindicato da categoria divulgou nota de pesar.
Já Alcides Bernal é jornalista, radialista e advogado, com carreira política como vereador, deputado estadual e prefeito de Campo Grande entre 2012 e 2016, período em que chegou a ter o mandato cassado e depois retomado por decisão judicial.
As imagens mostram que um chaveiro chegou ao local com Mazzini e abriu o portão para entrar. Pouco depois, Bernal aparece dirigindo uma caminhonete, estaciona na rua, desce já com uma arma na mão e entra na casa. Dentro do imóvel, ele parece dizer algo e faz o primeiro disparo.
Cerca de 12 segundos depois, o chaveiro sai correndo com as mãos levantadas. Em seguida, Bernal também sai, faz gestos na rua como se chamasse alguém, volta para dentro da casa, sai novamente, mexe no celular e, por fim, entra no veículo e vai embora. Toda a ação, desde a chegada até a saída, durou menos de quatro minutos.
Logo após a saída dele, outras pessoas entram no imóvel. Depois do ocorrido, Bernal se apresentou à polícia, foi ouvido e preso em flagrante por homicídio. A defesa afirma que ele agiu em legítima defesa, alegando que a vítima teria avançado contra ele, mas esse suposto movimento não aparece nas imagens das câmeras.