Investigação aponta inocência de mulher presa e apura denúncia de estupro em delegacia de MT
Apuração indica que vítima não tinha ligação com crime que motivou a prisão, e inquérito investiga denúncia de estupro cometido dentro de unidade policial
Publicado em 12 de Fevereiro de 2026 às 10:14
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga a denúncia de violência sexual feita por uma mulher que esteve sob custódia em uma delegacia no município de Sorriso, no norte do estado. O caso ganhou novos contornos após a apuração indicar que ela não tinha qualquer participação no crime que motivou sua prisão temporária, situação considerada uma reviravolta no processo.
A mulher foi detida no início de dezembro de 2025, após ser apontada como possível envolvida em um fato que estava sendo investigado. Com o avanço das diligências, a própria autoridade policial concluiu que não havia elementos que ligassem a presa ao crime, o que levou ao pedido de revogação da custódia judicial.
Durante o período em que permaneceu detida na unidade policial, a mulher relatou ter sofrido sucessivos estupros praticados por um agente da Polícia Civil. Segundo o depoimento prestado às autoridades, os episódios teriam ocorrido em diferentes momentos ao longo de uma madrugada, sempre dentro das dependências da delegacia.
De acordo com o relato, a vítima teria sido retirada da cela por um policial e levada a uma sala isolada, onde ocorreu o primeiro estupro, mediante intimidação. Ainda conforme a versão apresentada, o mesmo agente teria repetido a conduta em outras ocasiões, totalizando quatro episódios de estupro em menos de 24 horas. A mulher afirmou ainda que foi ameaçada para não denunciar os fatos, o que contribuiu para o silêncio inicial.
Após deixar a custódia, a vítima procurou apoio jurídico e foi orientada a preservar possíveis vestígios. Exames periciais foram realizados e integrados ao inquérito policial, juntamente com depoimentos, registros internos da delegacia e outros elementos técnicos considerados relevantes para a apuração.
O suspeito é um policial civil de 52 anos, que passou a ser investigado formalmente após o registro da denúncia. Um inquérito específico foi instaurado para apurar os fatos, com acompanhamento do Ministério Público. Até o momento, não há decisão judicial definitiva, e o investigado permanece sem condenação.
A investigação também passou a analisar a legalidade da prisão da mulher, uma vez que ficou comprovado que ela não tinha relação com o crime inicialmente apurado. Com isso, o foco das diligências se voltou integralmente para a apuração da denúncia de estupro cometido durante o período em que ela estava sob responsabilidade do Estado.
O caso gerou ampla repercussão por envolver acusações graves contra um agente público dentro de uma unidade policial, ambiente que deveria assegurar a proteção e os direitos de pessoas custodiadas. A Polícia Civil informou que acompanha o andamento do inquérito e que novas informações serão divulgadas conforme a conclusão das investigações.