Menina de 9 anos morre após ficar presa em fenda submersa em cachoeira de Goiás
Criança se afogou na cachoeira Usina Velha, em Pirenópolis; testemunha descreve resgate como angustiante e relata desespero da mãe durante a tentativa de salvamento
Publicado em 19 de Fevereiro de 2026 às 10:46
Uma mulher que visitava a cachoeira Usina Velha, em Pirenópolis viveu momentos de extrema angústia ao presenciar o resgate de uma menina de 9 anos que morreu após ficar presa em uma fenda submersa por aproximadamente 20 minutos. A testemunha descreveu a cena como desesperadora. “A mãe estava dilacerada”, relatou. A criança, identificada apenas como Laura , chegou a ser retirada da água com vida, passou por procedimentos de reanimação e foi levada ao hospital, mas não resistiu e morreu nesta quarta-feira (18/2).
Entenda o caso
Laura morreu na madrugada desta quarta-feira (18/2), após permanecer internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, localizado em Goiânia. A confirmação do óbito foi divulgada pela própria unidade hospitalar. Imagens feitas no local do acidente mostram frequentadores da cachoeira ajudando a equipe de guarda-vidas durante a operação de resgate.
Conforme informações do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, a criança caiu e ficou presa em uma pequena grota localizada sob uma pedra, permanecendo totalmente submersa. No momento em que foi retirada da água, Laura estava inconsciente, sem sinais vitais e em parada cardiorrespiratória. Apesar disso, os socorristas conseguiram realizar manobras de reanimação ainda no local antes do transporte para a unidade hospitalar.
“Quando chegamos, demos continuidade aos procedimentos de reanimação cardiopulmonar e iniciamos o deslocamento, mantendo a oxigenação e as manobras até o hospital. Lá, a criança foi entregue à equipe médica, que conseguiu reverter o quadro clínico inicial e obter a estabilização”, informou o CBMGO em nota.
A mulher que presenciou o resgate, e que preferiu não se identificar, contou que havia chegado à cachoeira ainda pela manhã, acompanhada do marido. Segundo ela, o local foi escolhido justamente por aparentar ser mais calmo, raso e seguro em comparação a outras cachoeiras da região. Ainda assim, a professora afirmou que logo ao chegar percebeu que algumas pedras eram escorregadias e poderiam representar risco de acidentes.
Minutos depois, a tranquilidade do local foi interrompida por uma movimentação intensa. Dois homens atravessaram rapidamente a ponte da cachoeira pedindo ajuda. Ao ouvir que se tratava de uma criança, a testemunha pensou inicialmente que a menina tivesse apenas escorregado, se machucado ou batido a cabeça. Pouco depois, no entanto, a gravidade da situação ficou clara. “Era pior do que imaginávamos. Ela estava presa na fenda, se afogando. Muitas pessoas tentaram ajudar de alguma forma”, relatou.
A educadora contou ainda que diversas pessoas se ajoelharam no local, rezando e tentando entender o que havia acontecido. A mãe de Laura entrou em profundo estado de desespero e precisou ser amparada por outros banhistas. Segundo a testemunha, o momento em que os guarda-vidas e bombeiros conseguiram retirar a criança da fenda foi especialmente chocante. Ela disse ter notado o olhar “vazio e distante” da mãe, que repetia, em tom de esperança: “Deus já fez o milagre, Deus já fez o milagre”.
“Tive a sensação de que a alma dela não estava no corpo naquele momento. Ela permaneceu ajoelhada o tempo todo, clamando a Deus. Eu não tive coragem de dizer uma palavra sequer, porque também chorava e orava muito”, contou a testemunha.
Administração lamenta a morte
A administração da cachoeira Usina Velha divulgou uma nota lamentando a morte da menina e classificou o ocorrido como uma “perda irreparável”. “Recebemos essa notícia com imensa tristeza. Estamos de luto e solidários à dor da família e de todos que sofrem com essa perda irreparável”, diz o comunicado.
A nota foi publicada nas redes sociais do local, que também manifestou apoio aos familiares e amigos da criança. “Neste momento de silêncio e respeito, nos unimos em pensamentos e orações, desejando força e conforto a todos”, conclui o texto.
O caso causou grande comoção entre moradores e visitantes da região. Autoridades reforçam a importância de atenção redobrada em áreas naturais, especialmente em locais com formações rochosas, fendas e trechos submersos que podem representar riscos ocultos.