Menina sequestrada pelo pai pisca para policial e consegue pedir socorro durante resgate em SP
Criança de 10 anos foi encontrada em Praia Grande após chamar discretamente a atenção de policiais durante a madrugada; pai foi preso após tentar fugir.
Publicado em 08 de Outubro de 2026 às 07:51
Uma menina de 10 anos, que havia sido sequestrada pelo próprio pai em Barueri, na Grande São Paulo, foi resgatada pela Polícia Militar em Praia Grande, no litoral paulista. O pedido de socorro aconteceu de maneira discreta: ao perceber a aproximação dos policiais, a criança piscou para um dos agentes, indicando que estava em perigo.
A mãe da menina, Jéssika Ferreira da Silva, contou que o policial identificado como cabo Alves percebeu o gesto e decidiu retornar para verificar a situação. Para ela, a atitude do agente foi decisiva para encontrar a filha e colocá-la em segurança.
“Ele foi um anjo na minha vida. Eu tenho muito pelo que agradecer. Ele me devolveu a vida, de verdade. Eu estava acabada, não comia, não dormia”, relatou Jéssika em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
O pai da criança, Wellington Ferreira da Silva, foi preso na madrugada de quarta-feira (7), no bairro Guilhermina, em Praia Grande. Ele era procurado pela Justiça por suspeita de ter dopado a ex-companheira e a filha em um hotel de Barueri, além de agredir a mulher e fugir levando a criança.
Segundo a Polícia Militar, os agentes retornavam de outra ocorrência quando avistaram pai e filha caminhando na chuva durante a madrugada. O horário, as condições climáticas e o fato de não haver estabelecimentos comerciais abertos fizeram com que os policiais desconfiassem da situação.
“Devido ao horário, ao tempo e ao dia da semana, não tinha nenhum comércio aberto. Eles acharam estranha aquela atitude e resolveram verificar”, explicou o tenente Thiago Marinho Rodrigues, comandante do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior.
Durante a aproximação da equipe, a menina teria piscado para um dos policiais como forma de pedir ajuda. O agente então chamou o companheiro de equipe e decidiu retornar para conversar com os dois.
De acordo com Jéssika, Wellington tentou convencer os policiais de que estava tudo bem e chegou a inventar uma história dizendo que a mãe da menina havia morrido. Enquanto ele falava, porém, a criança continuava piscando para o policial, tentando mostrar que aquela versão era falsa.
Durante a abordagem, enquanto um dos policiais realizava consultas, Wellington conseguiu fugir. A menina então revelou aos agentes que havia sido levada contra a própria vontade e que sua mãe já havia denunciado o desaparecimento.
Os policiais iniciaram uma perseguição pelas ruas da cidade. O suspeito foi alcançado na Avenida Presidente Castelo Branco, após fugir pela Rua Argentina. Ele resistiu à prisão e precisou ser contido pelos agentes, que utilizaram força moderada e algemas.
Pouco depois do resgate, um dos policiais entrou em contato com Jéssika para avisar que a filha havia sido encontrada. Inicialmente, a mãe pensou que pudesse ser um trote. A confirmação veio quando ela conseguiu ver a menina durante uma chamada de vídeo.
Emocionada, Jéssika destacou a atuação do cabo Alves e classificou o comportamento do policial como um verdadeiro ato de heroísmo.
“Ele foi um herói de verdade. Foi Deus mesmo”, afirmou.
Segundo a mãe, Wellington sequestrou a filha no dia 20 de setembro, depois de agredi-la em um hotel de Barueri e deixá-la no local. Durante 12 dias, Jéssika não recebeu notícias da criança. Depois desse período, o homem teria começado a fazer ligações para pedir dinheiro.
A Polícia Militar informou ainda que Wellington ameaçava matar a própria filha caso ela revelasse o sequestro. Durante o período em que esteve foragido, ele passou por diferentes cidades e, cerca de cinco dias antes de ser localizado, estava vivendo em situação de rua em Praia Grande.