MPDFT denuncia agente da Polícia Federal por homofobia e ameaça com arma em Samambaia
Servidor foi acusado de constrangimento ilegal, usurpação de função pública e homofobia após abordar dois homens em um bar; caso ocorreu em 13 de fevereiro e foi registrado por câmeras de segurança, segundo o Ministério Público do Distrito Feder
Publicado em 04 de Março de 2026 às 16:01
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios denunciou Diego de Abreu Souza Borges, servidor administrativo da Polícia Federal, pelos crimes de homofobia, constrangimento ilegal com uso de arma de fogo e usurpação de função pública. O caso ocorreu na noite de 13 de fevereiro, em um estabelecimento comercial em Samambaia, no Distrito Federal.
Segundo a denúncia, Diego Borges, que consumia bebida alcoólica no local, abordou de forma agressiva dois corretores de imóveis que aguardavam um pedido. Movido por preconceito, passou a questionar repetidamente se os dois homens formavam um casal, além de fazer comentários ofensivos relacionados à orientação sexual das vítimas.
As imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o denunciado se levanta, saca uma arma e aponta a pistola para um dos homens, ordenando que ele colocasse as mãos na cabeça e se deitasse no chão. Durante a ação, Diego teria afirmado ser policial, mesmo não estando em serviço, e feito ameaças às vítimas.
A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada, apreendeu uma pistola calibre 9 mm com munições intactas e conduziu Diego à delegacia. Ele foi autuado em flagrante, mas liberado após audiência de custódia realizada no dia seguinte.
Para o Ministério Público, a conduta foi motivada por discriminação contra pessoas LGBTQIA+, o que agrava o crime por ter sido praticado por um agente público. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a homofobia é equiparada ao crime de racismo, sendo considerada inafiançável e imprescritível.
A defesa de Diego afirmou que as imagens divulgadas não mostram todo o contexto da situação e alegou que ele teria agido acreditando estar diante de um risco iminente, interpretação que será analisada no curso do processo. A Polícia Federal informou que ainda avalia o caso internamente.