Pastor e psicólogo é denunciado por crimes sexuais após relatos de 12 mulheres em Rondônia
Denúncias apontam supostos abusos ao longo de duas décadas. Religioso foi preso preventivamente em setembro e responde a acusações de estupro e violação sexual.
Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 10:03
O pastor e psicólogo Aluizio Vidal Flor, de 58 anos, foi denunciado à Justiça por crimes sexuais após uma série de relatos apresentados por mulheres em Porto Velho, Rondônia. Em apenas dois meses, 12 mulheres procuraram as autoridades para denunciar possíveis abusos atribuídos ao religioso, que está preso preventivamente desde setembro de 2026.
O caso ganhou repercussão após Mirian Rios decidir romper o silêncio e procurar o Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Ela havia buscado atendimento psicológico com Aluizio para enfrentar dificuldades no casamento, confiando tanto em sua formação profissional quanto em sua posição como pastor e conselheiro espiritual.
Segundo Mirian, durante uma das sessões, o psicólogo teria ultrapassado os limites profissionais e pessoais. Inicialmente, ela tentou resolver a situação dentro da própria igreja, mas afirma que enfrentou humilhações, julgamentos e ataques à sua reputação.
O caso foi analisado por um tribunal religioso composto por 13 homens, entre presbíteros e representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil. As acusações mais graves foram consideradas não comprovadas, e o pastor recebeu uma punição por falas consideradas impróprias, após admitir comentários sobre o corpo da denunciante.
Mirian afirma que, após apresentar a denúncia, passou a ser desacreditada e excluída no ambiente religioso. Diante da situação, decidiu procurar o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do Ministério Público.
A iniciativa encorajou outras mulheres a relatarem experiências semelhantes. Após o depoimento de Mirian, outras sete denunciantes procuraram as autoridades, dando origem ao primeiro inquérito policial. Posteriormente, mais quatro mulheres apresentaram relatos, levando à abertura de uma segunda investigação.
Suspeitas de abusos durante 20 anos
De acordo com o Ministério Público, as denúncias apontam que Aluizio teria utilizado sua posição de autoridade como psicólogo e pastor para se aproximar de mulheres emocionalmente vulneráveis, incluindo pacientes que enfrentavam crises conjugais, traumas familiares e perdas gestacionais.
Os episódios denunciados teriam ocorrido principalmente no consultório psicológico e em ambientes relacionados à igreja. Algumas mulheres relataram situações envolvendo exercícios de hipnose ou relaxamento durante sessões terapêuticas.
As investigações abrangem acontecimentos que teriam ocorrido ao longo de aproximadamente duas décadas.
Com base no primeiro inquérito, que reuniu relatos de oito mulheres, o Ministério Público apresentou denúncia criminal envolvendo quatro delas: dois casos de estupro e outros dois de violação sexual.
Em relação às demais situações analisadas, o órgão solicitou arquivamento parcial devido à prescrição de alguns fatos e à inexistência de tipificação penal específica para determinadas condutas na época em que teriam ocorrido.
Defesa nega acusações
Após a prisão, a defesa de Aluizio Vidal Flor afirmou acreditar que as investigações comprovariam sua inocência. Posteriormente, quando a denúncia criminal foi apresentada à Justiça, o advogado optou por não se manifestar.
A Igreja Presbiteriana do Brasil também foi procurada pela reportagem original do g1, mas não apresentou posicionamento.
O processo tramita sob sigilo judicial, e o pastor permanece preso preventivamente.
“Escolhi não continuar em silêncio”
Mirian afirma que decidiu denunciar ao compreender que outras mulheres poderiam ter enfrentado situações semelhantes.
“Dói lembrar do consultório, do julgamento, das humilhações, da solidão e do medo de não acreditarem em mim. Mas hoje eu sei que a vergonha nunca deveria ter sido minha. Quando compreendi que poderia haver outras mulheres, escolhi não continuar em silêncio”, declarou.
O caso segue sob investigação e análise da Justiça de Rondônia.