Pecuarista de 62 anos é suspeito de matar companheira de 24 anos após discussão em Rifaina (SP)
Jovem teria sido agredida e ameaçada de morte dias antes do crime. Ela viajou acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete ao suspeito, que fugiu após o disparo.
Publicado em 28 de Outubro de 2026 às 09:34
Uma jovem de 24 anos, identificada como Priscila Lacerda Custodio, morreu após ser baleada na noite de terça-feira (27), às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina, no interior de São Paulo. O principal suspeito do crime é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem a vítima mantinha um relacionamento havia aproximadamente quatro meses. A diferença de idade entre os dois era de 38 anos.
O crime aconteceu no quilômetro 463 da rodovia, próximo à entrada de uma propriedade rural pertencente ao suspeito. Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, Priscila foi atingida por um disparo de arma de fogo durante uma discussão. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio.
Natural de Perdizes, em Minas Gerais, a jovem chegou a ser socorrida pelo próprio irmão e encaminhada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos.
Vítima teria sofrido agressões e ameaças antes do crime
De acordo com os depoimentos prestados à polícia, Priscila já havia relatado episódios de violência e ameaças envolvendo o pecuarista.
Uma amiga da vítima contou que o relacionamento entre os dois começou em julho deste ano e que, na sexta-feira (23), quatro dias antes do assassinato, a jovem teria sido agredida pelo companheiro. A testemunha afirmou que chegou a observar lesões no corpo de Priscila.
Ainda segundo a amiga, a jovem relatou que Bolelli havia ameaçado atirar contra sua cabeça e que teria contratado pessoas para monitorar seus movimentos. O suspeito também demonstrava ciúmes e acreditava que ela estivesse se relacionando com outro homem.
Conforme o depoimento, o pecuarista teria afirmado que não permitiria que Priscila retornasse à cidade de Perdizes.
Diante das ameaças, a amiga aconselhou a jovem a não viajar sozinha até Rifaina. Por esse motivo, ela e o irmão da vítima decidiram acompanhá-la.
Discussão começou durante devolução de caminhonete
Na noite do crime, Priscila foi até Rifaina para devolver uma caminhonete pertencente ao pecuarista que estava em sua posse.
A vítima e o irmão saíram de Perdizes no veículo, enquanto uma amiga os acompanhava em outro automóvel. Durante o percurso, Priscila passou para o carro da amiga para indicar o caminho até a propriedade rural, enquanto o irmão continuou conduzindo a caminhonete.
Ao chegarem à entrada da propriedade, encontraram João Roberto Bolelli, que apareceu em um carro branco. Segundo as testemunhas, outras pessoas também chegaram ao local em veículos diferentes, mas não foram identificadas.
Durante o encontro, o irmão da vítima relatou ter ouvido Priscila afirmar que queria ir embora e que não desejava continuar o relacionamento.
A situação teria se agravado quando o pecuarista exigiu a devolução de um aparelho celular que havia entregado à jovem. Priscila respondeu que devolveria o telefone somente depois que recebesse de volta seu próprio aparelho.
Segundo a amiga, Bolelli também questionou uma viagem feita pela vítima à cidade de Sacramento, em Minas Gerais, acusando-a de estar se encontrando com outro homem.
Suspeito teria atirado contra jovem e ameaçado irmão
Durante a discussão, conforme os relatos apresentados à Polícia Civil, o pecuarista sacou uma arma de fogo e disparou contra Priscila.
O irmão da vítima afirmou que, após atingir a jovem, Bolelli também apontou a arma em sua direção, fazendo com que ele corresse para se proteger.
Em seguida, o irmão prestou socorro à jovem e a levou até o hospital municipal de Rifaina. Apesar do atendimento, Priscila não resistiu.
Após o disparo, o suspeito deixou o local utilizando a caminhonete que a vítima havia viajado para devolver.
Polícia investiga feminicídio e procura suspeito
A Polícia Militar foi acionada após receber informações de que uma mulher baleada havia dado entrada no hospital.
Os policiais ouviram os relatos das testemunhas e seguiram até a propriedade rural de João Roberto Bolelli, mas ele não foi encontrado. O local do crime foi preservado para os trabalhos da perícia.
O aparelho celular de Priscila foi apreendido e deverá passar por análise, podendo auxiliar no esclarecimento dos fatos e das circunstâncias que antecederam o assassinato.
A Polícia Civil investiga a dinâmica do crime, a motivação e as circunstâncias da fuga do pecuarista.
Até a última atualização das informações divulgadas, nesta quarta-feira (28), não havia confirmação de que o suspeito tivesse sido preso. A defesa de João Roberto Bolelli também não havia sido localizada para comentar as acusações.
O caso segue sob investigação.