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Renúncia de Santiago Peña em meio à crise bancária provoca instabilidade política no Paraguai

Crise envolvendo o Ueno Bank, suspeitas de irregularidades e pressão do Congresso levaram o presidente a deixar o cargo, enquanto milhares de paraguaios aguardam respostas sobre suas economias.

Publicado em 05 de Novembro de 2026 às 16:30

Renúncia de Santiago Peña em meio à crise bancária provoca instabilidade política no Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pela intervenção no banco digital Ueno Bank, que deixou milhares de clientes sem acesso às próprias economias. A decisão foi divulgada por meio de um comunicado nas redes sociais, no qual o então presidente pediu desculpas à população e afirmou que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.

A renúncia ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra Peña. Mais cedo, o Congresso já havia iniciado os procedimentos para avaliar o afastamento do presidente e de seu vice. Com a decisão, o futuro político do país passou a depender dos próximos passos do Legislativo, que deverá decidir se aceita a renúncia ou dá continuidade ao processo de impeachment.

A crise teve início após a intervenção no Ueno Bank, que provocou preocupação entre poupadores, investidores e aposentados que ainda aguardam esclarecimentos sobre a recuperação dos valores depositados na instituição. Peña foi acionista do grupo controlador do banco até o ano passado, fato que levantou questionamentos da oposição sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a atuação do Banco Central paraguaio, acusado por setores oposicionistas de encobrir irregularidades.

O episódio também trouxe à tona disputas políticas e econômicas envolvendo figuras influentes do país. Parte dos setores políticos paraguaios aponta a possível influência do ex-presidente Horacio Cartes (2013–2018), atual presidente do Partido Colorado e principal articulador da candidatura de Peña. Apesar da proximidade política entre os dois no passado, a relação teria se deteriorado nos últimos tempos.

Outro ponto que alimenta os questionamentos é a ligação de familiares de Cartes com o setor bancário. Sarah Cartes, irmã do ex-presidente, ocupa atualmente o cargo de vice-presidente do Banco Basa. Diante desse cenário, setores da oposição interpretam a crise como uma possível disputa entre instituições financeiras pelos recursos destinados às aposentadorias, embora essa interpretação não represente uma conclusão comprovada sobre o caso.

Em seu pronunciamento, Peña justificou a decisão de deixar o cargo como uma medida para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. O ex-presidente também destacou a preocupação com os paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro e afirmou que sua prioridade é garantir a devolução dos recursos.

“Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios”, declarou.

Peña também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante seu mandato e afirmou que nunca teve a intenção de decepcionar a confiança depositada nele. Ao encerrar o comunicado, ressaltou a importância da preservação da democracia e das instituições nacionais.

A renúncia representa um novo capítulo de instabilidade política no Paraguai e coloca em questionamento a imagem do país como uma das economias mais estáveis da América Latina. Enquanto o cenário político segue indefinido, milhares de clientes continuam aguardando respostas sobre suas economias e sobre as medidas que serão adotadas para garantir a recuperação dos valores depositados no sistema financeiro.

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