Tenente-coronel da PM é preso por suspeita de matar esposa e tentar forjar suicídio em SP
Perícia contradiz versão de suicídio apresentada por Geraldo Leite Rosa Neto e indica que Gisele Alves Santana pode ter sido imobilizada antes do disparo
Publicado em 18 de Março de 2026 às 09:16
A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O caso é tratado como feminicídio e fraude processual.
A prisão ocorreu por volta das 8h, em um apartamento do oficial localizado em São José dos Campos, no interior paulista. Um comboio formado por agentes da Polícia Civil e da Corregedoria da PM foi até o local e realizou a detenção. Após ser preso, o tenente-coronel foi escoltado e encaminhado para a capital, onde deve prestar depoimento e passar por exames de corpo de delito antes de ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes.
A ordem de prisão preventiva foi solicitada na terça-feira (17) pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM, com aval do Ministério Público, e autorizada pela Justiça Militar.
A investigação aponta que Gisele foi morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, no apartamento onde o casal vivia, na região central de São Paulo. Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que a esposa teria cometido suicídio enquanto ele estava no banho, após uma discussão sobre separação.
No entanto, laudos periciais contestaram essa versão. De acordo com os investigadores, a posição do corpo, vestígios de sangue e a localização da arma indicam que a cena do crime foi alterada. Além disso, exames apontaram sinais de agressão, incluindo marcas de pressão no pescoço, sugerindo que a vítima teria sido imobilizada e possivelmente desmaiado antes do disparo.
Outro ponto que levantou suspeitas foi o comportamento do oficial após o ocorrido. Uma testemunha relatou ter ouvido o tiro por volta das 7h30, mas o pedido de socorro só teria sido feito cerca de 30 minutos depois.
A defesa do tenente-coronel questiona a legalidade da prisão preventiva decretada pela Justiça Militar, alegando que o caso não estaria diretamente relacionado ao exercício da função policial.
O Inquérito Policial Militar (IPM) deve ser concluído nos próximos dias.