Traficantes e milicianos usam roupas da Polícia Civil e equipamentos que imitam os usados por agentes para invadir territórios
Essas invasões vem acontecendo em territórios no Rio de Janeiro. Apesar de lei que regulamenta a comercialização, delegado afirma que falhas na fiscalização permitem que uniformes e identificações sejam usados por criminosos em extorsões, invasõ
Publicado em 05 de Agosto de 2026 às 15:18
A venda de fardas, coletes e acessórios semelhantes aos utilizados por forças de segurança pode ser encontrada com facilidade na internet, muitas vezes sem qualquer restrição aparente. Embora exista legislação para controlar a comercialização desses itens, especialistas apontam falhas na fiscalização, o que favorece o uso indevido por criminosos.
No estado do Rio de Janeiro, uma lei em vigor desde 2021 determina que empresas responsáveis pela confecção, distribuição e venda de uniformes das polícias Civil, Militar, Federal, Penal, do Corpo de Bombeiros e das guardas municipais devem se cadastrar junto às respectivas corporações para exercer a atividade. Após a regularização, é emitido um certificado de autorização com validade de dois anos.
Apesar da norma, o delegado Alexandre Neto, da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro, afirma que a fiscalização ainda é insuficiente para impedir a comercialização irregular desses produtos.
"Existe facilidade porque não tem quem fiscalize. Falta fiscalização", afirmou.
Segundo o delegado, embora seja possível controlar os fornecedores oficiais, a venda por terceiros continua ocorrendo sem um monitoramento efetivo, permitindo que os uniformes cheguem às mãos de pessoas não autorizadas.
O uso de uniformes ou identificações de agentes de segurança sem autorização configura contravenção penal. No entanto, quando esses materiais são utilizados para facilitar a prática de crimes, como extorsão, sequestro ou invasão de imóveis, os responsáveis respondem pelos delitos mais graves.
"Se você pratica crimes, se esse uniforme é um crime-meio para praticar uma extorsão ou um sequestro, você vai responder pelo crime mais grave", explicou Alexandre Neto.
De acordo com as investigações, criminosos utilizam fardas e identificações falsas para cometer extorsões, intimidar vítimas, invadir imóveis e realizar ataques contra facções rivais. Para o delegado, essa prática também aumenta o risco durante operações policiais.
"É preciso haver algum mecanismo que diferencie o policial do criminoso. Quando o bandido utiliza o mesmo uniforme, isso pode fazer até um policial confundir um colega com um integrante de uma organização criminosa", alertou.
A Polícia Civil informou que atua com base em informações de inteligência para identificar quadrilhas que utilizam uniformes e identificações falsificados. Segundo a corporação, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e outras unidades especializadas mantêm investigações permanentes para localizar e responsabilizar os envolvidos.
A instituição também orienta a população a denunciar casos suspeitos de uso irregular de fardas e identificações, contribuindo para o combate às organizações criminosas.